A maratona olímpica de 1904: a edição mais caótica da história

A maratona olímpica de 1904: a edição mais caótica da história
Fonte: Foto de sporlab na Unsplash

A maratona olímpica de 1904 foi a edição mais caótica da história. A modalidade ficou marcada por prova negativa em 1904, com condições inadequadas, primeiro vencedor trapaceando e campeão final dopado; confira!

Entre calor sufocante, improviso da organização e atletas enfrentando situações absurdas, a maratona olímpica de 1904 ganhou fama como uma das mais desastrosas da história. 

Esse interesse em torno do esporte continua atual, principalmente com o crescimento das bets autorizadas do Brasil, que oferecem novas formas de acompanhar as competições. Pratique o jogo seguro.

Os Jogos Olímpicos de 1904 foram realizados em comemoração ao centenário da Compra da Lousiana, mesmo após Chicago ter sido escolhida como sede inicial, mas a mudança ocorreu após pressão sobre os organizadores.

Com isso, a combinação entre Feira Mundial de St. Louis e Olimpíada gerou muitas expectativas, principalmente para a maratona, já que era uma celebração da primeira edição das Olimpíadas modernas, mas o que era festa quase fez a modalidade ser banida.

A maratona olímpica de 1904: desastre desde o início

Os Jogos Olímpicos de 1904 sofreram desde o início com problemas de organização. No caso da maratona, a prova foi marcada por um planejamento extremamente inadequado, começando às 15h.

As temperaturas estavam bem elevadas, com um dia escaldante que levou os termômetros acima de 32 °C. Além disso, não existia infraestrutura de hidratação ao longo do percurso, o que dificultava tudo.

Eram apenas dois postos de água ao longo de 40 km, com a organização justificando que faria parte de um estudo sobre os efeitos da desidratação nos atletas. Houve relatos de corredores desmaiando pelo caminho, inclusive, o americano William Garcia precisou de cirurgia de emergência.

“Ele ingeriu tanta poeira que rasgou o revestimento do seu estômago”, escreveu a historiadora Nancy J. Parezo em The 1904 Anthropology Days and Olympic Games.

Quem também desmaiou foi o cubano Felix Carvajal, no seu caso, por ter se alimentado de maçãs podres antes do início da prova.

O percurso também não era ideal, já que o trajeto passava por estradas não pavimentadas, o que gerava nuvens de poeira sufocantes. Além dos problemas já citados, alguns cães selvagens apareceram pelo caminho.

Vencedor desclassificado com trapaças e campeão dopado

Para agravar ainda mais o espetáculo que se tornou a maratona, o suposto vencedor, Fred Lorz, acabou desmascarado. Exausto no quilômetro 14, ele aceitou a carona oferecida por seu treinador até o estádio, com a justificativa de buscar suas roupas.

No meio do caminho, após cerca de 17 km rodados no carro, o automóvel quebrou. Foi então que Lorz decidiu correr até o estádio como se estivesse competindo normalmente.

Dessa forma, acabou cruzando a linha de chegada em primeiro, sob aplausos, chegando a ser fotografado ao lado de Alice Roosevelt, filha do presidente Theodore Roosevelt, mas foi desmascarado antes de receber a medalha por uma testemunha.

Depois, ele chegou a alegar que era uma brincadeira, que cruzou a linha sabendo que não seria declarado campeão. Além de desclassificado, ele ficou impossibilitado de participar de maratonas futuras.

Com a situação, o primeiro lugar foi para Thomas Hicks, que cruzou em segundo. Porém, ele estava dopado. Faltando 15 quilômetros para encerrar a maratona, ele parou exausto, mas recebeu várias doses de sulfato de estricnina com conhaque, um famoso veneno para ratos que, em pequenas doses, atua como estimulante no sistema nervoso.

Mas, como não havia um controle antidoping por agências como a WADA, ele foi declarado campeão, mesmo dopado e bêbado. Ao todo, dos 32 participantes da maratona, apenas 14 chegaram até o final.