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Apple pode abandonar o Google e criar seu próprio mecanismo de busca

Entenda porque a Apple pode abandonar o Google e criar seu próprio mecanismo de busca, e as conseqüências que essa mudança pode acarretar.

2020 não está sendo um bom ano para o Google. Os reguladores dos Estados Unidos e da Europa estão visando a empresa por práticas monopolistas, e a da Grã-Bretanha poderia forçar a rescisão do contrato com a Apple.

Atualmente, o Google é o mecanismo de busca padrão no navegador Safari instalado em dispositivos Apple.

A Apple se beneficia da maior parte dos US$ 1,5 bilhão que o Google paga para incluir seu mecanismo de pesquisa em dispositivos do Reino Unido, e isso é considerado pelo regulador da concorrência daquele país como:

“Uma barreira significativa para a entrada e expansão dos rivais do Google no mercado de mecanismos de busca.”

Os concorrentes incluem ninguém menos que Bing, Yahoo, operado pela Verizon Communications Inc., e o DuckDuckGo. Todos eles pagam à Apple para aparecer como motores de busca alternativos ao Safari.

De acordo com analistas da indústria, 80% da receita mundial da Apple não relacionada a vendas para usuários finais vem do Google.

Entre as alternativas pensadas pelos reguladores está uma tela que permite escolher o mecanismo de busca ou impor restrições à monetização do mecanismo de busca padrão.

Os usuários que gostam de testar versões beta de produtos Apple descobriram que o Spotlight, o aplicativo de busca para dispositivos Apple, não usa mais o Google para suas sugestões. Os resultados são exibidos como sugestões da Siri.

A outra pista de que a Apple está trabalhando em seu próprio mecanismo de busca é a atualização da página Sobre do Applebot. Este é um indexador de sites usado pelo Spotlight e Siri.

No início, funcionava apenas com sites da Apple, mas agora essa página fornece informações completas para que os webmasters otimizem seu site a ser indexado.

A terceira indicação vem de ofertas de empregos postadas de Cupertino e focadas em especialistas em mecanismos de pesquisa com conhecimento de inteligência artificial.

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Quando a União Europeia obrigou a Microsoft a dar a possibilidade de escolher um navegador no Windows, muitos de nós pensamos que isso aumentaria a participação de mercado do Firefox.

Infelizmente, isso apenas aumentou a participação do Google Chrome, dando ao Google uma posição dominante como a Microsoft nunca teve. E, de qualquer maneira, é provável que, se os reguladores britânicos conseguirem o que querem, as pessoas ainda escolherão o Google.

Mas a coisa seria ainda pior se a Apple desenvolvesse seu próprio mecanismo de busca.

Algumas das consequências seriam:

  • Integração mais completa com o sistema operacional e outros serviços da Apple, como iCloud.
  • Melhor posicionamento nos resultados de busca de produtos Apple ou daquelas empresas que pagam a Apple por um melhor posicionamento.

Suponha que alguém esteja procurando uma comédia para assistir no fim de semana. Os primeiros resultados serão a certeza das comédias disponíveis no Apple TV+.

Da mesma forma, se alguém escreve um artigo com uma crítica negativa de seus produtos, a empresa tem o poder de retirá-lo dos resultados.

Já houve as reclamações de várias empresas sobre as práticas monopolísticas da Apple.

Há as histórias do Basecamp, um desenvolvedor de ferramentas de produtividade cujo aplicativo de e-mail foi removido da app store porque se recusou a usar o serviço pago da Apple para assinaturas. Do lado europeu, Spotify e Kobe, concorrentes diretos de serviço da Apple, reclamaram de práticas anticompetitivas.

Algum tempo depois, houve relatos sobre as reclamações dos desenvolvedores do Telegram às autoridades regulatórias europeias.

Neste caso, para além das comissões excessivas, destacaram a obrigatoriedade de disponibilização de dados do usuário, a impossibilidade de download de software de outras fontes e a arbitrariedade da aplicação nas políticas da loja de aplicações.

Em outras palavras, um mecanismo de busca da Apple para substituir o do Google seria deixar a Guatemala para cair na Guatemala. Pelo menos há motivo para estar feliz por não ter dinheiro para comprar um de seus dispositivos.

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Edivaldo Brito: Edivaldo Brito é analista de sistemas, gestor de TI, blogueiro e também um grande fã de sistemas operacionais, banco de dados, software livre, redes, programação, dispositivos móveis e tudo mais que envolve tecnologia.

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